Leo Faria e seu trabalho como fotógrafo de streetstyle nas Fashion Weeks

No caos das semanas de moda ao redor do mundo, não são só as grandes marcas e as carinhas do streetstyle que se destacam. Profissionais que dedicam seu tempo e seu trabalho à elas acabam ganhando grande visibilidade e garantem um portfólio incrível também. E este é o caso do Leo Faria, um mineiro que viaja o mundo inteiro atrás dos cliques mais incríveis – que traduzem originalidade e muito estilo -, e se posiciona como um grande nome no mercado da fotografia de moda!

Tive o prazer de bater um papo bem bacana com ele, que contou sobre sua rotina – e dificuldades – durante as fashion weeks, sobre o posicionamento da moda nesse mercado que está em constante mudança e muito mais. Vem ver:

Como começou sua carreira na fotografia e seu fascínio pela moda?
Meu pai sempre foi apaixonado por fotografia. Eu o via registrando tudo a nossa volta… Quando eu cresci, me apaixonei por Artes Gráficas, me formei em Publicidade e Propaganda e na faculdade tive contato com a fotografia de um modo mais formal. Esse contato se estreitou quando fui trabalhar em agências de publicidade e se intensificou alguns anos depois de eu ter aberto minha própria agência e ter ministrado aulas de Fotografia e Criação na universidade ESANC/ESPM. Mas, de fato, eu passei para trás da câmera depois de sucessivas frustrações com fotógrafos que não atendiam minhas expectativas enquanto Diretor de Criação e foi aí que optei por fazer eu mesmo passando a me dedicar exclusivamente à fotografia! E aqui estou eu, já há 12 anos fotografando…
Minha agência de publicidade operou por 7 anos e muitos dos clientes que a procuravam eram relacionados a moda, e quando me dei conta minha agência era especializada nisso, e eu, um fotógrafo de moda apaixonado.

Focar seus flashes em pessoas reais do streetstyle e não nas imponentes passarelas foi uma escolha ou aconteceu naturalmente? 
Aconteceu naturalmente! Em 2013 fui fotografar uma campanha em Nova Iorque justamente durante a Fashion Week. Aproveitei a ocasião para sentir a vibração da cidade durante esse momento da indústria da moda e um amigo, que coordenava uma plataforma de influenciadoras digitais e estaria com algumas meninas durante a temporada, me propôs fazer algumas fotos. E então, me deparei com dezenas de fotógrafos se apropriando do streetstyle como linguagem dos seus trabalhos. Me apaixonei por isso e nunca mais deixei de acompanhar as semanas de moda! O que fiz foi cada vez incluir novos destinos.

Durante as badaladas semanas de moda, quais são os desafios que você mais encontra?
Acompanhar uma Temporada de Moda Internacional é uma loucura e é muito cansativo, mas enxergo como um grande privilégio pois não é fácil estar nelas… No final de uma Temporada chego a exaustão. Os desfiles acontecem um na sequência do outro – e muitas vezes se sobrepõem – e o deslocamento entre eles exige uma logística complexa, que é organizada pelo meu Produtor Executivo, que me acompanha em todas as viagens e também, uma equipe local de apoio. Talvez essa seja a maior dificuldade para acompanhar essas semanas mundo a fora. Sem falar no custo altíssimo disso tudo! Mas nesse caso, conto com patrocinadores como a Companhia Aérea Air Europa e a Homeway/Alugue Temporada além, de trabalhos comissionados por clientes. Seria impossível fazer o trabalho autoral que faço se não fossem todos eles: colaboradores, patrocinadores e clientes.

No seu ponto de vista, qual a importância do streetstyle nesse mercado?
A verdade é que o empoderamento das ruas pós o advento das Redes Sociais certamente vem cada vez mais fragilizando a opinião da indústria da moda, que por sua vez, tem se rendido aos apelos das ruas. Atualmente o streetstyle possui voz alta e é ele que diz o que a indústria deve seguir e fazer. Isso em partes é limitante do ponto de vista criativo para os designers, mas é igualmente libertador para as ruas… Enfim, acredito que é um momento histórico, que como qualquer outro passará.
O importante no momento é equilibrar forças de modo a conquistarmos a liberdade de expressão de todos – das ruas e da indústria -, sem prejuízos comerciais e tampouco criativos! Acredito que esse tempo chegará. Por ora, venho notando que o streetstyle tem dividido as atenções em pé de igualdade com as passarelas. E elas estão mais preocupadas em agradar as ruas e obter resultados comerciais do que glórias criativas como no passado. E reforço a expressão “no momento” pois, tudo pode mudar a qualquer tempo.

Pegando o gancho de redes sociais, qual a importância delas – atualmente – nesse universo fashion que você está inserido?
As Redes Sociais mudaram completamente as relações entre marcas e consumidores, ou melhor, mudaram completamente todas as relações, sejam elas comerciais ou pessoais, e quem não se der conta disso, certamente ficará de fora dos novos tempos. E novos tempos virão em intervalos de tempo cada vez menores, ou seja, o exercício de entender e aceitar as mudanças fará cada vez mais parte da história dos profissionais, sejam fotógrafos ou não…

Li que você trabalhou com a Chiara Ferragni e também tem contato com muitos outros nomes de peso. Quais são as figuras que você mais gosta de fotografar?
Meu trabalho me aproxima de muita gente bacana que admiro. Eu não seria louco de eleger alguém que mais gosto de fotografar, seria muito comprometedor! (Risos) Brincadeira, na verdade de fato não tenho nenhuma preferência. Gosto de criar imagens e isso pode ser feito com qualquer pessoa indiscriminadamente por mais ou menos privilegiada que possa ser.

O que te chama atenção numa pessoa para fotografá-la?
Me identifico com culturas, estilos e comportamentos marcantes. Gosto de gente real que me passa verdade, mas no final fotografo tudo, pois acredito que meu papel não é julgar e sim registrar.

Fotografias são momentos eternizados. E qual foi o momento que você mais tem orgulho de ter eternizado com a sua câmera?
Puxa, nunca parei para pensar nisso. Acho que talvez eu ainda não tenha feito esse registro…

Como está sendo a internacionalização do seu trabalho e o que tem mudado na sua vida?
Meu trabalho internacional certamente me rende frutos e talvez o principal deles, além dos trabalhos comissionados, é a aproximação de profissionais consagrados no mercado e de revistas e publicações do setor.

Você viaja o mundo em busca dos estilos mais variados para clicar, então fica a dúvida: O streetstyle do Brasil tem alguma diferença comparado ao das outras Fashion Weeks?
Cada país tem sua peculiaridade e não poderia ser diferente, porque o streetstyle nada mais é do que a expressão de uma cultura.
Paris é um mix do estilo mais cool das francesas e as produções mais ousadas do high fashion, porque junta esse estilo muito próprio das parisienses com o fato da cidade ainda ser o maior centro fashionista do mundo, principalmente durante a semana de moda. Milão é o império do luxo à italiana, existe a cultura do acessório made in Italy, então as bolsas e sapatos ganham muita importância, é o streetstyle das labels. Nova Iorque tem o espírito street deluxe, a mistura das super trends com um olhar mais descolado, mais prático e mais cool. Em Londres existe ainda espaço para um streetstyle mais genuíno, no sentido de abrir mais espaço pros jovens que experimentam, que ousam mais e criam sua própria estética sem depender tanto das grifes. Já em São Paulo, esse tipo de fotografia ainda é muito recente e ainda é comandado pelas blogueiras e pelas marcas, mas aos poucos aparecem pessoas que trazem um pouco das ruas, da realidade misturada da cidade, e isso é bem bacana porque dá uma chacoalhada nas coisas e traz novas ideias de styling.
Enfim, cada semana de moda pelo mundo tem suas características e isso as tornam únicas e singulares e dificultam a escolha de uma ou outra.

Como essa mudança que está acontecendo no universo da moda – imediatismo na forma de consumo e absorção de conteúdo – interfere no seu trabalho?
O meu trabalho é fruto desse momento. Não há como eu me dissociar dele.

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